Pensei muito antes de fazer esta postagem, afinal, trata-se de minha vida baunilha, mas após muita reflexão cheguei a conclusão que guardar este fato para mim, seria o mesmo que concordar com tudo que aconteceu e que tem me tirado a paz desde então.
Esta semana passei por um dos piores pesadelos da minha vida, tenho certeza disso, nenhuma cena como aquela poderia ser mais humilhante para mim ... ou para qualquer mãe - Domme ou submissa! *
Minha filha está se separando do marido, (graças a Deus não quizeram filhos!), o divórcio já está para sair, foram 13 anos de convivência tão harmoniosa, que foi espanto para todos que conhecem o casal, esta notícia. Porém, Eu já sabia que, de dois anos para cá, as coisas já não estavam tão harmoniosas assim. Mas, nada dura para sempre, a vida me ensinou isto.
Se separaram e o inferno começou! Eu realmente fico pasma em ver como tudo muda da água para o vinho, tudo que foi vivido vai para o lixo, transformam-se em inimigos. Ele sai se dizendo vítima, faz um dramalhão mexicano que ninguém consegue entender nada, visto que tudo que queria era a liberdade, que estava cansado, não a amava mais e toda sorte de loucuras.
Cinco meses se passaram, pouco se falavam, o básico e a respeito de partilha de bens e do divórvio e intermediado pela advogada, senão pegava fogo.
Mas quiz o destino que ela precisasse de um documento com urgência e teria que pedir e ele. Após tentativas frustadas via torpedo e tel., solicitando o tal documento se viu forçada a ir até a casa dele buscar. Ele encontra-se morando com a mãe! Lá foi ela, linda e loira. Resumindo toda a ópera. Se desentenderam. E não satisfeito somente com as discussões costumeiras, simplesmente partiu para a agressão física! Não digo que minha filha é uma santa, tem temperamento tão forte quanto o dele. Mas nada, nada justifica agressão!
Estava Eu acabando de chegar em casa e o telefone tocando, era a advogada me contando o ocorrido e me instruindo a ir buscar minha filha imediatamente e procurar uma Delegacia para prestar queixa. O sangue ferveu nas minhas veias quando ouvi tudo aquilo. Desliguei, sai as pressas e fui buscar minha cria! Meu Deus! Podem se passar mil anos e Eu não vou esquecer aquela cena! *Minha menina jogada no chão, em prantos, no pátio do condomínio dele, uma senhora ao lado dela com um copo d´água... Eu me aproximei e pude ver logo de cara, a blusa rasgada, o braço ferido, o rosto inchado, ela totalmente descontrolada, humilhada, foi difícil para mim viver aquele momento. Tive dificuldade em levantá-la dali, ela estava possessa, mas finalmente consegui. Sentia dores na barriga - ele a chutou (MALDITO!), destroncou o tornozelo esquerdo, a mão direita, ficou bastante machucada, mas Eu sei que sua alma doía mais, assim como a minha.
Saí dali com ela direto para a delegacia mais próxima. Que deprimente! O RO foi feito, e o valentão foi enquadrado na Lei 11.340/2006 - Lei Maria da Penha. Como isto foi á noite e ainda teríamos que ir ao IML para que ela passasse por exame de corpo de delito. Mas já estava muito tarde e a conselho do inspetor que lavrou a ocorrência, fomos no dia seguinte. Enquanto aguardava a vez dela ser chamada para exame, pude observar o quanto mulheres e crianças são agredidas neste país! Não parava nunca de chegar gente!
É, minhas amigas(os), é isto. Esta Domme está com o coração bastante machucado, não existe dor maior que ver a cria sofrendo! Mas também estou com muito ódio, um desejo atroz, de pegar este infeliz e submetê-lo a horas, quem sabe dias, de torturas impensáveis, isto no mínimo. Mas infelizmente não pode ser assim, a Justiça existe para isto. Mas enquanto correr sangue em minhas veias não vou sossegar até ver este maldito pagar pela covardia que cometeu contra minha filha.
E ainda existem pessoas que acham que isto só acontece na TV!
E depois os descontrolados, loucos e violentos somos nós, praticantes do SM, onde tudo é consensual.
Parece piada mas não é! O dia em que a violência doméstica bateu à porta de uma praticante de SM.
Me desculpem o desabafo.
D.Amanda®
Sempre bom relembrar:
Conhecida como Lei Maria da Penha a lei número 11.340 decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente do Brasil (que sairá do cargo em 2010 porque já foi reeleito) Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de agosto de 2006; dentre as várias mudanças promovidas pela lei está o aumento no rigor das punições das agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico ou familiar. A lei entrou em vigor no dia 22 de setembro de 2006, e já no dia seguinte o primeiro agressor foi preso, no Rio de Janeiro, após tentar estrangular a ex-esposa.
A introdução da lei diz:
Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências.
—Lei 11.340























